sexta-feira, 25 de maio de 2018

Curso de Direito. O que achei? Vale a pena?

Foto: Internet


Oi, pessoal... Tudo bem com vocês?

Hoje eu vim falar um pouco da minha profissão e porque escolhi o curso de Direito. Quero esclarecer nesse texto, também, as maiores dificuldades que tive ao longo do curso e dar algumas dicas pra quem pretende enveredar por esse caminho fascinante.

Durante minha preparação para os vestibulares ouvi muita gente falando que "Direito é pra quem gosta de ler muito", mas a verdade é que o correto a se dizer (constatei isso ao longo da minha jornada) é que Direito é pra quem gosta de ESTUDAR. Isso porque não importa o quanto você domine um determinado assunto na área jurídica, sempre (sempre mesmo) haverá atualizações, novos entendimentos, mudança de jurisprudências e afins. Sem contar que ler, simplesmente, é uma atividade acessória nesse campo. Muito mais que ler, o estudante de Direito precisa interpretar, reconhecer diversos posicionamentos, diversas teorias (para um mesmo termo) e desenvolver um senso crítico daquilo que é abordado.

Minha escolha de curso veio muito cedo. Na verdade eu nem lembro se um dia cogitei outra opção, pois desde sempre eu sonhei com essa.

Eu sempre fui muito curiosa e sempre tive um senso de justiça muito forte, talvez pela educação que recebi em casa (da minha avó). A questão é que sempre admirei as profissões que possibilitam e preservam a justiça, sempre desejei exercer um papel significativo no mundo, fazendo a diferença na vida de outras pessoas.

Quando falo de profissões (no plural) é porque não apenas a advocacia me encanta, mas também as carreiras públicas que estão ligadas ao mundo jurídico (juiz, promotor, delegado, defensor público, analista jurídico, etc.).

Eu sou advogada há 2 anos e, apesar das dificuldades para o advogado iniciante (que são muitas), sinto-me realizada por fazer o que gosto. Atualmente almejo um cargo público e por isso tenho estudado para fazer um concurso na minha área (podemos falar disso em outro post). O fato de querer um cargo público não diminui minha admiração pela advocacia privada, acontece que a área pública apresenta opções que, ao meu ver, são mais vantajosas.

Eu cursei Direito em uma faculdade privada, porém tive subsídio pelo PROUNI (100%) e conclui o curso sem despesas com mensalidade ou matrícula. Apesar dessa facilidade, os gastos ainda existiam. Minhas despesas mensais incluíam transporte (a faculdade ficava em outra cidade), alimentação e material para estudo (livros e cópias... muitas cópias).

Por causa das despesas mensais, eu tive que procurar um emprego. Então eu passei 4, dos 5 anos da faculdade, trabalhando durante todo o dia. No último ano eu fui aprovada em uma seleção para estágio no Ministério Público de Pernambuco e estagiei por 12 meses com remuneração na instituição.

Diante de tudo isso, as maiores dificuldades que enfrentei durante o curso foram:

  • Conciliar Trabalho e Faculdade:

    Trabalhar 8 horas por dia, muitas vezes em pé o dia todo, em uma área totalmente distante da sua (meu primeiro emprego foi como vendedora/repositora de uma loja de materiais de construção) pode ser enlouquecedor.

    Em alguns momentos, confesso que pensei que não fosse aguentar. Eu odiava meu trabalho (o primeiro), sofria assédio moral, mas precisava do dinheiro pra pagar as despesas da faculdade. Foi por isso que, na primeira oportunidade, agarrei um emprego muito melhor, embora também em outra área (nesse segundo eu trabalhava no setor financeiro de uma empresa de produtos agrícolas).

    Mas uma coisa é certa: Trabalhar e estudar é para os fortes!

    No geral, acho que valorizei ainda mais meu curso por causa das dificuldades que passei.

  • Noites mal dormidas:

    Isso é normal em muitos cursos superiores e se você trabalha e estuda, é uma regra. Eu trabalhava de 8h às 18h (com 2h de almoço) e minha van me pegava às 18h20 pra ir pra faculdade. Eu só chegava em casa às 23h ou mais, mas é claro que ainda tinha trabalhos pra fazer e provas pra estudar, então eu esticava até umas 1h30 ou 2h30 da madrugada.

    Se formos parar pra calcular, ainda dava pra dormir umas horinhas boas até às 7h, que era a hora de acordar, mas quando você passa a semana toda cansando o corpo e a mente, o resultado é fatigante.

  • Cansaço Mental:Ocupar a mente o dia todo com questões de trabalho, se estressar, e depois passar 4 horas estudando (com todas as preocupações rondando sua cabeça) é um grande desafio. Muitos dias eu tava tão esgotada que acabava não rendendo nada na faculdade, daí usava o fim de semana pra correr atrás do prejuízo.

    Se você não pode se dar ao luxo de só estudar, o sacrifício é necessário e o cansaço mental é uma consequência óbvia. Mas não se assuste, vale a pena!
  • Verba limitada:Não importa o quão organizado financeiramente você é, sempre vai ter uma apostila a mais pra mudar seu orçamento.

    No meu caso, eu jantava na faculdade (porque não dava tempo de ir pra casa comer) e ainda tinha os gastos com transporte e material de estudo. Um salário mínimo evapora fácil nesse ritmo.

    Essa foi uma dificuldade que, com o tempo, eu consegui controlar mais, uma vez que passei a planejar melhor minhas despesas, tentando evitar ao máximo os imprevistos.

Não vou mentir e dizer que esse é um caminho fácil. Não é! Mas se você gosta do que faz, se isso te faz feliz, é o suficiente pra te fazer levantar todos os dias pela manhã e sorrindo!

O curso de Direito é fascinante e possibilita muitas opções de atuação, tanto na área privada como na pública (concurso).

Se vocês tiverem dúvidas ainda, deixem um comentário que eu respondo, tá?

Espero que tenham gostado.

Até mais, abraços!

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